
Em um Brasil onde a maioria da população era analfabeta e o rádio era tanto uma promessa de falar com as massas como uma tecnologia para poucos, uma emissora nasceu com a pretensão de “representar” o
país. A Rádio Nacional, que faz 90 anos em 2026, despontou desde os primeiros anos com uma programação considerada inovadora e ambiciosa.
Criada pela Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande e instalada no primeiro arranha-céu do Rio de Janeiro - o Edifício A Noite -, a Nacional deu seus primeiros passos apostando em formatos
que eram novidade no Brasil. Antes mesmo de ser estatizada pelo governo Getúlio Vargas e viver seu ápice, a rádio já tinha conquistado um lugar na história da comunicação.
Na série especial 90 anos em 90 histórias, a Nacional conta sua própria história com edições diárias até o dia 12 de setembro, aniversário da rádio.
Todos os episódios são publicados na Radioagência Nacional. O resumo de cada semana vai ao ar na Agência Brasil.
A contradição do rádio Na época em que a emissora foi criada, outras rádios já existiam no país. O potencial de público era enorme, diante da limitação dos jornais impressos, como explica o professor
da Universidade Federal Fluminense (UFF), João Batista de Abreu. "O censo de 1940 indicava que o Brasil tinha em torno de 45 milhões de habitantes. Desses, 56% dos adultos eram analfabetos.
Imagina o que isso significa em termos de abertura de informação. O primeiro veículo de comunicação popular, de massa, a falar para o analfabeto foi o rádio".
Por outro lado, segundo o professor da UFF, o aparelho era pouco acessível. Nessa época, um receptor de rádio tinha o tamanho de uma geladeira e custava o equivalente a R$ 8 mil em valores de hoje.