
A promessa da campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) de promover um “tesouraço” nas despesas públicas, tendo como inspiração o ajuste fiscal de Javier Milei na Argentina, abriu uma disputa sobre
o possível alcance dos cortes, ainda não detalhados pelo candidato. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem cobrado Flávio para explicar o “tesouraço”, enquanto o senador do PL vem negando que
vá fazer ajuste fiscal sobre as aposentadorias ou programas sociais. A desindexação das aposentadorias do reajuste do salário mínimo – uma das demandas principais de agentes do mercado financeiro
para reduzir as despesas do governo – limitaria os reajustes à inflação, sem ganho real. Atualmente, as pensões e aposentadorias no Brasil seguem a regra do salário mínimo que prevê ganhos reais de
até 2,5% acima da inflação. A coordenadora da equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, economista Daniella Marques, tem afirmado que o governo de Javier Milei é uma inspiração da campanha,
considerado um “ótimo exemplo”. “Vamos usar de inspiração o que foi feito pelo governo de Javier Milei, na Argentina", disse Daniella durante o evento Esfera Brasil, em setembro deste ano, segundo
reportagem da revista Exame. Entre as mudanças que afetaram os aposentados na Argentina está o fim da moratória previdenciária, a partir de março de 2025.
Com essa mudança, o número de argentinos que ingressaram na Previdência caiu de 213,9 mil, no 1º semestre de 2024, para 99,6 mil, no 1º semestre de 2026.
A queda de 53% no número de novos aposentados foi registrada pelos Boletins Estatísticos da Previdência Social (BESS) do país. A redução pela metade no número de novos aposentados ocorre após o
governo Milei não renovar a chamada regra da moratória previdenciária. Esse mecanismo permitia que trabalhadores com idade mínima para se aposentar, mas sem os 30 anos de contribuição previstos,