
Experiência pioneira que transformou a história da psiquiatria no Brasil, os ateliês terapêuticos criados por Nise da Silveira completam, neste dia 18 de maio, 80 anos.
A proposta era usar atividades artísticas coletivas como alternativas aos eletrochoques, isolamento e lobotomia, métodos predominantes na psiquiatria em 1946, quando foram criados. Os ateliês hoje
compõem o Museu de Imagens do Inconsciente (MII), no bairro Engenho de Dentro, na zona norte do Rio de Janeiro.
Atualmente, o Museu abriga o maior acervo do mundo em seu gênero, com mais de 400 mil obras, sendo 128 mil tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Os ateliês da psiquiatra são considerados referência internacional ao substituírem práticas agressivas por uma abordagem baseada na escuta, na expressão criativa e na dignidade humana.
Nascida em Maceió, em 15 de fevereiro de 1905, Nise Magalhães da Silveira foi uma médica psiquiatra que revolucionou o tratamento mental no Brasil. Ela morreu em 30 de outubro de 1999, no Rio de
Janeiro. Ateliês seguem funcionando Os ateliês terapêuticos de Nise da Silveira continuam em funcionamento até hoje. Eles se destinam a pessoas que precisam de algum tipo de cuidado.
“São pessoas que atravessam dificuldades emocionais e psíquicas, sejam elas temporárias, pontuais ou mais permanentes”, explicou o coordenador de projetos da Sociedade Amigos do Museu de Imagens do
Inconsciente, Eurípedes Junior. O que é produzido nos ateliês do Museu é objeto de estudo e pesquisa, visando “conhecer mais um pouco o mundo interno do ser humano e os processos psíquicos que
pertencem a todos nós, independente de doença ou não”, diz Junior. Com isso, o museu abre um grande leque de pesquisa sobre o imaginário, as imagens e o tratamento.