
O governo brasileiro reagiu com dureza à conclusão preliminar da investigação aberta pelos Estados Unidos com base na chamada Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Em nota divulgada nesta terça-feira (2), o Palácio do Planalto afirmou que não há justificativa para medidas unilaterais contra o Brasil, contestou os argumentos apresentados por Washington e
classificou a apuração como uma tentativa de interferência em assuntos internos do país. Segundo o governo, a investigação teria sido motivada por articulações ligadas à família Bolsonaro junto às
autoridades americanas. O comunicado também critica iniciativas que, na avaliação do Executivo, buscam prejudicar interesses econômicos brasileiros em meio às negociações comerciais entre os dois
países. "Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente
viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais",
destacou o comunicado. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Críticas à investigação O documento foi divulgado após reunião de emergência entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e os
ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social), Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) e
José Guimarães (Relações Institucionais). O embaixador Mauricio Lyrio representou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Na nota, o governo afirma que a investigação não encontra respaldo nos números do comércio bilateral e destaca que os Estados Unidos acumulam superávit nas trocas comerciais com o Brasil há anos.