
Era como um dueto musical aquela caminhada apressada ao lado da avó, na área rural de Santo Antônio do Descoberto (GO), para vender pano de prato na feira.
Aos 10 anos de idade, Ravi Shankar Domingues sabia que era preciso andar e correr de um lado ao outro para dar conta das aulas na escola pública, do canto no coral da cidade e também em uma banda de
forró. Uma vida muito humilde, mas intensa. Hoje, o músico de carreira internacional, aos 42 anos de idade, entende que a vida dele não pode ser entendida como uma composição solo, mas uma composição
a muitas mãos. A inspiração para a reviravolta de seu destino foi como um sopro, literalmente, de oboé, um instrumento de madeira que o encantou desde que aqueles sons penetraram pelos seus ouvidos
na Escola de Música de Brasília, a mais de 40 quilômetros de sua casa. Oboé Brasília (DF), 17/01/2026 – Músico de Oboé, Ravi Domingues descobriu o instrumento na adolescência.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil - Joédson Alves/Agência Brasil Ele descobriu o instrumento na adolescência depois que um amigo da família, impressionado com a disposição do garoto pobre, o levou
até a escola na capital federal, a maior unidade de ensino pública do gênero no Brasil. Ravi enfrentou o fato da distância, e contava com ajuda de uma tia e com apresentações em sua cidade para
conseguir o dinheiro do transporte. Saía de casa todos os dias, às 4h30, para dar conta de tudo. Ao ouvir os sons que saíam do oboé, aquele instrumento de madeira, quis saber mais.
No entanto, pessoas que tentaram o ajudar lembravam que o instrumento era caro e poderia oferecer menos oportunidades no mercado de trabalho. A previsão estava errada.
Ravi, atualmente, tem carreira consolidada e é professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). No corredor da escola Na semana que passou e até o dia 24, os alunos de oboé da escola de música