
O duelo entre Brasil e Escócia nessa quarta-feira (24), pela rodada final do Grupo C da Copa do Mundo, foi quente. E não somente pelo que se viu em campo.
No momento em que a bola começou a rolar em Miami (Estados Unidos), às 19h (horário de Brasília, 18h local), os termômetros marcaram temperatura de 30ºC.
Isso no fim da tarde e começo da noite por lá. Não é surpresa. Uma pesquisa da Queen's University Belfast, da Irlanda do Norte, identificou que 14 das 16 sedes da Copa - que também inclui México e
Canadá - poderiam registrar níveis "potencialmente perigosos" de calor. O estudo levou em conta informações meteorológicas dos últimos 20 anos e foi publicado no International Journal of
Biometeorology em janeiro do ano passado. Em artigo escrito em maio, a um mês do Mundial, a World Weather Attribution Initiative (WWA), uma associação internacional de pesquisadores climáticos,
chamou a atenção para os jogos marcados para o México e para interior e sul dos Estados Unidos. O receio era o alto nível de umidade em regiões do litoral e do centro-oeste norte-americano, que torna
o calor mais perigoso - especialmente na prática do futebol. A Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPro), que é o sindicato global dos jogadores, recomenda que
jogos com temperatura a partir de 30ºC tenham, obrigatoriamente, pausas para hidratação. Se chegar a 36ºC, a orientação é pela interrupção ou até mesmo o adiamento da partida, até que, diante das
condições climáticas, todos (atletas, comissões técnicas, arbitragem e torcedores) estejam em segurança.
A WWA recorda que a Copa de 1994, também nos Estados Unidos, teve episódios de calor, mas em condições menos severas.