
Com óculos de proteção e máscara no rosto, o artesão Agnaldo Noleto, de 56 anos, escolhe cada material com cuidado.
Ele acorda às 3h todos os dias para começar o trabalho, às 4h, na oficina em sua casa, na cidade de Santo Antônio do Descoberto (GO).
Resina, madeira e tinta dão forma, em miniatura, a monumentos que estão a mais de 50 quilômetros de distância, na capital que aprendeu a amar.
Brasília, que completa 66 anos nesta terça-feira (21), cabe nas mãos do artesão e povoa a sua cabeça, enquanto cria, monta, lixa e pinta. Agnaldo produz pelo menos 850 peças por semana para vender
em feiras pela cidade. Os trabalhos viram lembrancinhas para os turistas e moradores. Mas cada mini-monumento ou pequeno palácio tem tamanho gigantesco em sua memória.
A inspiração mais representativa para ele é a da Catedral de Brasília, tanto a que ele vê hoje como a que tinge seus dedos a cada madrugada. Foi vigiando carros no estacionamento da igreja que
Agnaldo começou a ganhar seu primeiro dinheirinho, aos 14 anos de idade, logo depois que saiu de Riachão (MA). Ele se mudou com a irmã, em 1980, quando Brasília era apenas uma jovem de 20 anos.
Os pais ficaram no Maranhão. “Minha família sofria na roça. Eu ajudava eles, mas acho que eu sempre quis mesmo era ser artista”. O artesão Agnaldo Noleto produz pequenas peças homenageando os
monumentos de Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Vocação Com as mãos de criança ou adolescente, fazia carrinhos de madeira e outros objetos com argila. Mas ainda demorou um pouco mais
para ganhar a vida com as miniaturas. Guias de turismo incentivaram o jovem a fazer fotos instantâneas.