
Mesmo após o governo federal ter revogado o decreto sobre a concessão das hidrovias na Amazônia, o tema ainda continua em estudos, disse nesta quinta-feira (26) o ministro de Portos e Aeroportos,
Silvio Costa Filho. “O governo tomou a decisão para que fosse suspenso aquele decreto, mas isso não vai impedir o trabalho da Secretaria de Hidrovias.
Os estudos todos eles permanecem”, disse o ministro. O decreto suspenso pelo governo previa estudos para a concessão à iniciativa privada da Hidrovia do Rio Tapajós e de outros dois rios amazônicos –
o Madeira e o Tocantins. Por mais de um mês, os indígenas organizaram protestos contra o decreto. Eles chegaram a ocupar o escritório da multinacional do agronegócio Cargill, no Porto de Santarém, às
margens do Rio Tapajós, e lideraram protestos também em São Paulo e na capital federal, com um grupo de indígenas acampado em Brasília.
Depois de participar dos leilões de arrendamentos portuários na tarde desta quinta-feira na B3, na capital paulista, o ministro defendeu que é preciso “respeitar a decisão da maioria do governo”.
Silvio Costa disse que o decreto foi revogado em razão do “risco de vida” que a intensificação dos protestos poderia trazer.
No entanto, destacou, que “não se pode permitir que manifestações como essas atrapalhem o desenvolvimento do Brasil”. “Nós estamos com cinco estudos, dos quais dois no BNDES e três na Infra S.A.
Os estudos estão acontecendo e nós vamos fazer as consultas públicas. E agora através da secretaria, vamos ampliar o diálogo com a população, com os movimentos sociais, com o setor produtivo, para
que a gente possa continuar avançando nessa agenda hidroviária do Brasil”, disse. O ministro garantiu que nenhum movimento será feito sem diálogo com a sociedade.