
Antes mesmo de nascer, Maju Santos, de 27 anos, já acompanhava o compasso dos tambores de congo capixaba dentro da barriga da mãe.
Em Vila Velha, no litoral do Espírito Santo, ela cresceu cercada pela musicalidade e pela tradição, guiada pela mãe Beatriz dos Santos Rego, que é regente da Banda de Congo Mestre Honório, e pelo
avô, o Mestre Daniel, que se orgulha de já ter feito à mão mais de 2 mil tambores. “Como comecei na banda de congo? Na verdade, foi bem antes de eu nascer.
Minha mãe conduzia as fincadas de mastro comigo na barriga. E eu acho que disso veio muito do meu dom, eu tenho um ouvido quase absoluto para isso”, contou Maju, que integra a banda Mestre Honório e
o grupo de congo Madalenas do Jucu. A Fincada de Mastro é uma festa tradicional das bandas de congo que acontece em cidades da região.
“É uma festa que o conguista faz em homenagem a São Benedito e aos escravos que se salvaram de um naufrágio.
Eles se salvaram agarrados ao mastro do navio, todos que se agarraram ali se salvaram”, explicou. Segundo a tradição popular, a sobrevivência dos escravizados ao naufrágio se deu após pedidos a São
Benedito. Marcada pela música das bandas de congo, o ritual inclui fincar um mastro enfeitado em praça pública.
“Cada [banda] tem um dia para fincar o mastro que fica durante um mês ali e, no mês seguinte, a gente o retira. É como se fossem duas festas”, contou.
Os dois grupos dos quais Maju participa desfilaram em cortejo que percorreu ruas do município de Aracruz (ES), ao entardecer de sábado (23).