
A cientista Denise Pires de Carvalho assumirá nos próximos dias o cargo de Vice Diretora-Geral de Ciências da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
É a primeira vez que a cadeira é ocupada pelo Brasil desde a criação da ONU em 1945. Ao fazer a indicação, a Unesco destacou a experiência da cientista em liderança e gestão de pesquisa e avaliação
de programas de pesquisa e cooperação científica internacional e afirmou que o trabalho dela “abordou dimensões sociais da ciência, incluindo acesso equitativo, igualdade de gênero e governança
institucional inclusiva”. Atual presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise afirma que chega à Unesco com o mesmo olhar que o Brasil teve para a ciência
nos últimos anos, com reforço do multilateralismo e de uma ciência voltada para as pessoas. “Nesses últimos três anos, o que o Brasil fez, a Capes fez, foi defender a interação sul-sul no nível da
pós-graduação, internacionalizar cada vez mais os programas de pós-graduação do país, interagindo com a América Latina e o Caribe, com os países da África, para além de toda a cooperação que nós já
fazíamos", disse. Denise também destacou o papel da ciência no desenvolvimento dos países, especialmente os mais pobres.
Ela defende que não há saída para o Brasil se tornar um país desenvolvido que não seja através da ciência. “Quem nega a ciência, nega o desenvolvimento da nação.
Não há país independente sem universidades. Não há país independente sem ciência. E o Brasil começou muito tardiamente esse processo de verdadeira independência.
Todos os países mais desenvolvidos do mundo são mais desenvolvidos porque investiram em ciência”, disse.