
A decisão de derrubar o canal Exército do Lula no WhatsApp com 3,3 milhões de pessoas, que acabou revertida horas depois, limita a mobilização de eleitores no segundo turno e extrapola o combate à
desinformação, avaliam especialistas em direito no ambiente digital. A gerente de políticas públicas da organização de direitos humanos Witness, Bruna Santos, disse à Agência Brasil que a decisão
do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, foi “desproporcional” e diferente de outros entendimentos da Corte.
Bruna Santos, especialista em direito digital e gerente de políticas públicas da organização de direitos humanos Witness - Foto: Bruna Santos/Arquivo Pessoal “O fato de o TSE ter considerado que esse
canal não deveria existir neste momento é uma potencial tentativa de restrição de mobilização de apoiadores do presidente Lula.” Para Bruna Santos, seria mais apropriado pedir a exclusão do conteúdo
considerado falso, e não de todo o canal, avaliando que a decisão teria motivação “explicitamente política”.
“Me parece mais uma tentativa de diminuir o alcance da campanha do presidente Lula às vésperas do segundo turno do que, de fato, tentar criar uma estratégia contra a desinformação em torno desse
canal”, acrescentou. Decisão revertida A decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de derrubar o canal de mobilização política criado no segundo turno
pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) repercutiu na campanha presidencial neste domingo (11). O candidato Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão de “intromissão indevida da Justiça
Eleitoral”; Janones chamou de “censura”; e a campanha de Flávio Bolsonaro vem pedindo aos apoiadores para “combater as fakes news da esquerda”.