Dolores Fonzi concorre a prêmio de cinema com luta pelo abor...

Uma jovem de 20 anos, pobre, chega ao hospital público da cidade onde vive, no interior da Argentina, com fortes dores abdominais.

Após sofrer um aborto espontâneo, é acusada de homicídio, é encarcerada injustamente por cerca de dois anos, até que uma grande mobilização de mulheres exige a revisão judicial do processo e a

libertação da moça. O caso real que se tornou símbolo da luta pelo aborto legal na Argentina é tema do filme Belén, concorrente de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça, ao troféu de Melhor Filme no

Prêmio Platino Xcaret. A premiação é considerada o Oscar do cinema ibero-americano e será anunciada neste sábado (9), no México.

Passados dez anos da libertação da jovem apelidada de Belén para preservar sua identidade, o longa-metragem sobre a história reacende discussões sobre direitos sexuais e reprodutivos no país vizinho.

Desde a chegada do ultradireitista Javier Milei à presidência, barreiras têm sido impostas às mulheres que buscam esse direito, denunciou Dolores Fonzi, em entrevista à Agência Brasil nesta

sexta-feira (8), em Cancún, no México. Apesar de a lei estar em vigor, ela explica que restrições orçamentárias tornam a prática inacessível para muitas mulheres.

“Um aborto medicamentoso custa quase 20% de um salário mínimo e estão sendo cobrados. As mulheres pobres ainda não têm acesso”, disse a diretora.

Em 2016, ela protestou com um cartaz no Platino, por Belén. “Estão criando obstáculos para dificultar o acesso ao aborto legal”, criticou.

Sem financiamento estatal, mesmo em hospitais públicos, as mulheres têm que pagar essa soma pelos remédios.

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