
Há cerca de dois anos, a terapeuta ocupacional Daiana Nascimento recebeu uma notícia muito aguardada: estava grávida, depois de um bom tempo de tentativas e espera.
Mas logo descobriu que não viveria o que tanto sonhou. "Em menos de três dias, eu vivi o dia mais feliz e o dia mais triste da minha vida.
E, menos de um mês depois, eu estava com um câncer gerado de uma gestação. Foi muito difícil. A gente nunca imagina que vai passar por isso", ela lembra. No primeiro ultrassom, Daiana descobriu que
a gravidez se tratava de uma "mola", nome popular da doença trofoblástica gestacional. Trata-se de um tumor benigno, que em até 20% dos casos pode evoluir para um câncer de placenta maligno, como
ocorreu com a terapeuta. Daiana Nascimento contou em entrevista à Agência Brasil sobre seu tratamento após mola gestacional. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil O que é mola gestacional?
Tudo começa com um erro de fertilização. Nos casos de mola incompleta, um espermatozóide com o DNA duplicado ou dois espermatozóides fecundam um óvulo normal, gerando uma placenta imperfeita,
acompanhada de um embrião com anomalias genéticas incompatíveis com a vida. Já nos casos de mola completa, um óvulo sem DNA é fecundado por um espermatozóide dos mesmos tipos anteriores, gerando
apenas uma placenta anormal, sem embrião. Nas duas situações, a gestação precisa ser interrompida e a mola, retirada, sob o risco de provocar sangramento uterino e alterações na tireóide e pressão
sanguínea. Mas o efeito mais grave da doença trofoblástica é o câncer de placenta, que ocorre quando células da mola se instalam no útero.
Isso acontece com menos de 5% das mulheres com mola parcial, mas, entre aquelas com mola completa, uma em cada cinco desenvolvem câncer.