
A escalada da guerra no Oriente Médio nos últimos dias expõe o fracasso do acordo costurado entre Irã e Estados Unidos (EUA) para pôr fim ao conflito que já custou a vida de milhares de pessoas na
região, desde o dia 28 de fevereiro. Os ataques aumentaram contra o Irã, incluindo bombardeios contra infraestruturas civis como pontes, hospital, usinas de dessalinização de água, de produção de
combustíveis e até um canteiro de obras de uma usina nuclear. Do outro lado, o Irã intensifica ataques contra alvos em países do Golfo, como Jordânia, Bahrein e Kuwait, atingindo tanto bases
militares dos EUA nesses países, quanto algumas infraestruturas civis, como usinas de dessanilização de água e de produção de energia.
O especialista em segurança e geopolítica, o major-general português Agostinho Costa, afirmou à Agência Brasil que o memorando de entendimento assinado entre EUA e Irã não passou de uma “mentira” ou
uma “manobra diversionista” de Washington diante da baixa nas reservas de petróleo causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. “O presidente Donald Trump assinou o memorando porque foi informado
que as reservas estratégicas de petróleo duravam mais quatro semanas, o que iria provocar uma crise, principalmente de diesel.
O acordo foi uma ficção, sem intenção de se cumprir, como todos os papéis que os americanos assinam”, disse.
O ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal acrescentou que, a partir do momento que os EUA cumprissem o memorando, eles estariam entregando, para controle do Irã, a rota marítima de
países “clientes” dos EUA como Emirados Árabes Unidos (EAU), Bahrein e Kuwait. “O que está em jogo é a hegemonia norte-americana na região. É o fim do império norte-americano.