
A coalizão Escudo das Américas, liderada pelos Estados Unidos e que reúne outros 14 países latino-americanos, usa o combate aos cartéis de drogas como pretexto para interferir nos países da América
Latina e barrar a influência econômica da China na região. Essa é a avaliação de especialistas em relações internacionais na América Latina consultados pela Agência Brasil, como o professor de
ciência política da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Danilo Enrico Martuscelli. “O Escudo das Américas é uma retomada desse processo de tentativa de anexação colonial ou imperial dos países
latino-americanos em relação aos EUA dentro de uma lógica geopolítica de disputa comercial e tecnológica com a China”, disse.
Nesta semana, às margens da 81ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, os 15 países da coalizão divulgaram documento informando a intenção de levar a proposta do Escudo das Américas para dentro da
Organização dos Estados Americanos (OEA). No documento divulgado, as nações concordaram ainda em classificar como “terroristas” 24 grupos narcotraficantes, entre eles, os brasileiros Primeiro Comando
da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). O especialista Danilo Enrico Martuscelli classifica a política do segundo mandato de Donald Trump como “de agressão imperial aberta” e, ao questionar a
política de combate aos cartéis da Casa Branca, lembra que o próprio Trump deu indulto ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão por facilitar a importação de
toneladas de cocaína para os EUA. “Uma pessoa que está comprometida a combater o narcotráfico vai dar indulto e liberar um narcotraficante?
Eles querem combater o narcotráfico, mas no quintal dos outros. Internamente, o que eles fazem para controlar o controle desse crime organizado?”, questionou Danilo Martuscelli.