
Nas terras indígenas Munduruku, no Pará, os garimpeiros estão substituindo grandes maquinários por equipamentos menores e menos potentes.
A mudança ocorre após a intensificação de ações de retirada de invasores em Terras Indígenas (TIs), durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A desaceleração das atividades e o retrocesso técnico podem parecer uma decadência do setor, mas na verdade indicam uma estratégia para driblar a fiscalização e recuperar o elevado faturamento.
A conclusão faz parte do relatório O Circuito Espacial do Garimpo Ilegal no Pós-Desintrusão, lançado hoje (11) pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), em parceria com o Instituto Mãe Crioula.
. Junto com os Yanomami e os Kayapó, os Munduruku são o grupo indígena mais atingido pelo garimpo no Brasil.
O estudo aponta, ainda, que o mesmo sistema financeiro que mantém relações com facções criminosas, reveladas por operações como a Carbono Oculto, também sustenta as estruturas de extração de minério.
Esse suporte financeiro também eliminou a distinção entre o garimpo artesanal e a mineração industrial de larga escala.
Operações recentes da Polícia Federal expuseram esses esquemas que envolvem fundos de investimento, lavagem de dinheiro e organizações criminosas.
Mão de obra O estudo também investigou a origem da mão de obra que trabalha nos garimpos ilegais no Pará, formada em sua maioria por maranhenses.
Esse cenário consolida uma transformação de migração intrarregional, iniciada em 1990. Os trabalhadores realizam deslocamentos dentro da mesma região, alternando entre a lavoura e o garimpo. A