
Em meio aos ataques contra o Irã, o governo dos Estados Unidos firmou acordo com 16 países latino-americanos para “combate aos cartéis” na região e ameaçou “agir sozinho” na América Latina “se
necessário”, o que violaria a soberania das nações latino-americanas sobre o próprio território. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, liderou na última quinta-feira (5), em Doral, na
Flórida, a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis, da qual participaram 16 países latino-americanos. "Os Estados Unidos estão preparados para enfrentar essas ameaças e partir para o ataque
sozinhos, se necessário. No entanto, nossa preferência — e o objetivo desta conferência — é que, no interesse deste hemisfério, façamos isso juntos; com vocês, com nossos vizinhos e com nossos
aliados", disse Hegseth. O secretário do governo Trump enfatizou que a “coalizão” firmada na Flórida expressa a política do Corolário Trump à Doutrina Monroe.
Incluída na Estratégia de Segurança Nacional, anunciada em dezembro pelos Estados Unidos, a política reafirma a doutrina criada em 1823 e prega a “proeminência” de Washington sobre as Américas.
"Ameaça gravíssima" O professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra Ronaldo Carmona disse à Agência Brasil que a fala de Hegseth é uma "ameaça gravíssima".
"Pois sob Trump, as ameaças costumam se materializar (vide Venezuela e agora Irã). Ao evocar a Doutrina Monroe, o faz propondo expurgar a presença de potências extrarregionais das Américas, em uma
ameaça explícita à liberdade de ação das nações da América Latina”, comentou. O pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) acrescentou que o ingresso de drogas nos EUA deve
ser uma tarefa interna ao Estado americano, que tenta “latino-americanizar” a questão como “pretexto” para intervenções abertas no continente, como ocorreu na Venezuela.