
Controlar todas as rotas marítimas para dificultar o comércio da China está por trás da intenção dos Estados Unidos (EUA) de invadir e anexar a Groenlândia, segundo avaliam especialistas em relações
internacionais e geopolítica consultados pela Agência Brasil. O Oceano Ártico liga Ásia, Europa e América do Norte e, com as mudanças climáticas, espera-se que o derretimento das calotas polares
reduza o preço de frete nessa região nas próximas décadas. Em documento publicado em 2018, a China se classificou como um país “quase-ártico” e tem atuado em cooperação com a Rússia para aumentar sua
presença no menor dos oceanos do planeta. O major-general português Agostinho Costa, especialista em assuntos de segurança e geopolítica, explicou que os EUA já controlam praticamente todas as rotas
comerciais e oceanos, mas que têm uma presença reduzida no Ártico. “[A anexação da Groenlândia] é uma política de controle de rotas marítimas com o objetivo de bloquear a China.
Os EUA controlam o Pacífico e o Atlântico, agora falta controlar o Ártico. Eles vivem mal com a ideia de, em um oceano tão importante como é o Ártico, ter uma presença residual”, explica o militar,
ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal. Major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal -
Foto: Pekka Kallioniemi/X Observações de satélite da Nasa (agência espacial dos EUA) apontam que o gelo marinho está caindo 13% por década e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
(IPCC), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), avalia que o Ártico pode ficar sem gelo entre 2050 e 2070. “Com o aquecimento global, a rota do Ártico diminui o tempo de navegação entre a
China e a Europa”, lembra o general português Agostinho Costa, acrescentando que 80% do comércio global se faz pelos mares.