
A primeira vez da potiguar Kaliane Martins, de 40 anos, em um museu foi para trabalhar em Brasília (DF). Ela se mudou para a capital, com a mãe, ainda criança, e adulta virou faxineira.
Conseguiu emprego no Sesi Lab, na área central da capital, há quatro anos, deixou a vassoura e virou agente de portaria. Está encantada pelas artes que surgem de todos os lados.
Inclusive, a mais recente tocou mais fundo o seu coração e a memória do bordado. Trata-se da instalação “Bordaduras”, um vinil adesivo de 530 metros quadrados, com imagem de agulhas e uma série de
bordados em ponto de cruz inacabados instalada sobre os vidros do museu do Sesi Lab. O trabalho está oficialmente aberto à visitação do público a partir desta terça (15).
A agente de portaria e costureira, Kaliane Freire, duarnte entrevista para Agência Brasil. Joédson Alves/Agência Brasil A obra da artista plástica Regina Silveira, de 87 anos de idade, professora
emérita da Universidade de São Paulo (USP), fez bem à memória da funcionária do espaço. “Aprendi a bordar com a minha mãe e com minha avó.
Vi as agulhas [da obra] e me fez recordar”, diz Kaliane Martins. Ela recordou que teceu não apenas as próprias roupas e as dos três filhos adolescentes, mas também a própria vida.
“Nunca foi fácil costurar cada dia de batalha”, filosofou a agente de portaria em entrevista à Agência Brasil. Ela ficou entusiasmada ainda mais com a chegada da artista.
Feminista Nas palavras da artista Regina Silveira, que tem extensa carreira internacional, o objetivo da obra de arte é justamente provocar reflexões.
Ela contextualiza que os bordados estão historicamente ligados à alfabetização das mulheres, durante o Pré-Renascimento, quando elas se ocupavam em bordar letras em enxovais. “No meu percurso, os