
Uma exposição no Rio de Janeiro reúne obras de pessoas egressas do sistema prisional e de seus familiares.
Por meio de diferentes linguagens – como pintura, performance e vídeo –, os artistas propõem reflexões sobre encarceramento, desigualdades sociais e políticas públicas.
Um dos participantes da mostra Coexistir Coabitar é o artista e biomédico Wallace Costa, de 29 anos, que mora no bairro de Irajá, na zona norte.
Ele apresenta a obra Cadeias de Vidro: três telas em resina que revisitam a trajetória do pai na prisão e como isso deixou marcas na família.
Para Wallace, a arte permite elaborar memórias e provocar reflexões sobre justiça, saúde mental e ressocialização. O pai dele foi detido mais de uma vez.
Na penúltima prisão, permaneceu 11 anos encarcerado. Após cumprir pena, passou pelo regime semiaberto e voltou a ser preso em 2019, por um ano.
“Além dos rótulos que foram tatuados em mim, teve a época do regime semiaberto, em que tive que conviver com ele. Eu já era adolescente, e ele estava diferente.
Nós tínhamos que ficar monitorando o aparelho da tornozeleira eletrônica que ele usava. Ele chegou a usar drogas dentro de casa. Tudo isso teve muito impacto na minha vida”, conta Wallace.
Na obra do artista, a placa central traz a réplica de um jornal que retratou o pai como instigador de uma rebelião ocorrida em abril de 2004.
Nas laterais, fragmentos de vidro, adesivos e canudos encapsulados em resina representam a fragmentação e a anulação do sujeito encarcerado.