
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos relacionados à Operação Compliance Zero,
que apura corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias ligadas ao antigo Banco Master. Fachin atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), para quem a divulgação
de apenas parte do material passa uma "ideia equivocada” de que a transparência do caso pode estar comprometida. A divulgação de todo o material já havia sido requerida na noite de quinta-feira (9)
por Fachin. Mendonça atendeu ao pedido horas depois, divulgando 15 procedimentos de investigação derivados da Compliance Zero. Relator do caso no Supremo, Mendonça manteve, contudo, o sigilo sobre
algumas linhas de investigação, o que motivou a PGR a pedir acesso à integralidade dos documentos. Pela decisão de Fachin desta sexta-feira (11), todos os documentos devem ser disponibilizados,
“ressalvadas exclusivamente as diligências em andamento ou a serem realizadas, para os quais se pudesse antever possíveis prejuízos à sua efetividade”, escreveu o presidente do Supremo. A ordem de
Fachin para a retirada do sigilo sobre a investigação ocorre na esteira de uma crise institucional sem precedentes no Supremo, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos de
investigação mútuos protagonizados pelos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Fachin determinou a remessa de todo o material para os gabinetes dos demais ministros, para que possam
analisar os documentos e provas antes de julgar, na próxima terça-feira (15), um outro pedido da PGR, dessa vez para que um relatório da PF ligando Vorcaro a Moraes seja anulado. Neste relatório,
cujo sigilo foi levantado por Mendonça, constam dezenas de mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes.