
Há um mês, a vida de milhares de famílias na Zona da Mata Mineira foi completamente impactada por enxurradas, deslizamentos de terra e enchentes.
Chuvas fortes se concentraram, principalmente, na noite do dia 23 de fevereiro e provocaram 73 mortes: 65 em Juiz de Fora e 8 em Ubá. As chuvas também deixaram um rastro de destruição que se
estendeu por Matias Barbosa e municípios próximos. No meio de tantas histórias, a de Claudia da Silva, de 71 anos, se destacou.
Ela é moradora do Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora, e disse ter perdido 20 pessoas da família. A comunidade, que concentra pessoas de baixa renda, fica em uma encosta e teve o maior número de
mortes na cidade (22). Moradora do Jardim Burnier, Cláudia da Silva conta que perdeu 20 pessoas da família.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Quando conversou com a reportagem da Agência Brasil pela primeira vez, Claudia lidava com o luto, ao mesmo tempo em que ajudava as equipes de busca por desaparecidos.
Com o passar das semanas, ela teve mais tempo para processar os acontecimentos. O cansaço e a desesperança ficaram mais profundos. “Eu tive que procurar tratamento psicológico por conta própria.
É muita coisa para a minha cabeça. Um sobrinho que sobreviveu está no CTI [centro de terapia intensiva]. Ele só tem 16 anos e teve que amputar uma perna.
Estou só chorando, desesperada, sem conseguir comer direito”, disse. A casa em que Claudia mora com a mãe de 85 anos foi interditada pela Defesa Civil, mas ela não quis deixar o local.
“Temos medo, não dormimos direito e nos sentimos abandonadas. Ninguém dos órgãos competentes veio aqui dar apoio, oferecer uma casa, pelo menos.