
Fã de histórias em quadrinhos (HQ) desde a infância, a doutoranda e professora Fernanda Pereira da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense (UFF),
desenvolveu um estudo que confirma como as graphic novels podem provocar reflexões sobre questões étnico-raciais na formação de futuros professores do Curso Normal, fortalecendo a educação
antirracista. As graphic novels são HQ com histórias completas, imagens e textos mais longos. Doutoranda Fernanda Pereira da Silva acredita que as HQs têm o poder de atrair as pessoas para essa
discussão Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Até o mestrado sobre relações étnico-raciais, baseado em heróis negros de HQs, Fernanda não tinha parado para falar de racismo. “Me senti uma ignorante,
porque nunca tinha parado para tratar de questões raciais. A questão é de todo mundo, independente da cor da pele”, disse Fernanda (19) à Agência Brasil. Por isso, ela acredita que as HQs têm o
poder de atrair as pessoas para essa discussão. Em 2018, no final do mestrado, quando o governo federal lançou HQs com os heróis negros Carolina, Cumbe e Angola Janga no Programa Nacional do Livro e
do Material Didático (PNLD), ela resolveu que se dedicaria, no doutorado, a pesquisar como as graphic novels poderiam contribuir para o debate racial na formação inicial dos professores do ensino
fundamental. “Vi a importância de trabalhar isso na formação inicial para que esses professores se estimulem no sentido de continuar o debate antirracista na sua formação posterior.
Daí o meu interesse de inserir as HQs para trazer a discussão antirracista para dentro da sala de aula”. A tese de doutorado de Fernanda tem o título Cotidiano, escola e Graphic novel: O papel da
mídia no fortalecimento da Educação para Relações Étnico-Raciais e contou com orientação da professora da Faculdade de Educação da UFF, Walcéa Barreto Alves.