
Ainda no Porto de Dacar, capital do Senegal, na costa ocidental da África, a senegalesa Fama Sylla aborda visitantes que estão na fila para comprar o tíquete que garante uma vaga na balsa que os
transporta até a Ilha de Gorée, em um trajeto de menos de meia hora. “Que tal visitar o meu box de vendas lá? Tenho bijuterias e muitos itens típicos”, convida ela.
A Ilha de Gorée fica a cerca de 3 quilômetros do porto. O lugar é o ponto mais visitado por turistas em todo o Senegal.
Gorée tem uma área de 17 hectares, isso equivale a menos de 25 campos de futebol. Desde 1978, é declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco). O título é uma das explicações para Gorée ser epicentro do turismo em Senegal.
A ilha ostenta uma carga histórica que a permite ser memória viva do período da escravidão de negros africanos.
Saída para as Américas Pela localização privilegiada “de cara” para o Oceano Atlântico, foi usada por colonizadores europeus ─ portugueses, holandeses, ingleses e franceses ─ como entreposto para o
tráfico de escravizados, que eram embarcados compulsoriamente para as Américas. Prática que vigorou dos séculos 15 ao 19.
Vista da Ilha de Gorée - Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil Os africanos que resistiam à travessia transoceânica tinham como fim uma vida de escravizado em locais como Brasil, Estados
Unidos, Cuba, Haiti e no Caribe. Em Gorée fica a Casa dos Escravos, construção de dois andares onde os africanos eram mantidos aprisionados antes de passar pela expressiva “Porta do Não Retorno”.