
É lógico pensar que um dente de 95 milhões de anos enviado à minha casa teria um passado rico. Mas o que aconteceu depois que o comprei online por cerca de US$ 100 (cerca de R$ 540) revelou como,
para tais relíquias e aqueles que as cobiçam, o presente é, em alguns aspectos, muito mais complexo. Sempre quis ter um fóssil, e quando o algoritmo detectou esse desejo, anúncios inundaram meu feed
do Instagram. Então, tornou-se impossível resistir à emoção de comprar um pedaço de um dos maiores predadores que já existiram: o Espinossauro, um carnívoro semiaquático que podia atingir quase 60
pés (cerca de 18 metros) de comprimento — mais longo e pesado que o Tiranossauro rex. Quando o pacote chegou, em uma bela redoma de vidro e com um certificado de autenticidade pré-impresso afirmando
que vinha do Norte da África, o dente longo e pontiagudo parecia autêntico aos meus olhos inexperientes: amarelo-amarronzado, com texturas variadas e aparência rochosa.
Mas algumas rachaduras óbvias que sugeriam que o espécime talvez tivesse sido remendado a partir de múltiplos fragmentos me deixaram em dúvida: seria real?
Para descobrir, levei-o ao Museu de História Natural de Londres, onde Susannah Maidment, uma pesquisadora sênior e especialista em fósseis, o examinou. "Sim, é um fóssil, com certeza", ela disse.