
Enquanto separava areia e tinta para o desenho de um cálice para o tapete de Corpus Christi na Esplanada dos Ministérios, nesta quinta-feira (4), a estudante Vitória Nunes, de 18 anos, diz que, além
da fé cristã, a ocasião celebra a amizade real, longe das telas de celular e da inteligência artificial. “Os encontros ficam mais verdadeiros do que na internet”, afirmou.
Vitória é coordenadora do grupo jovem da Paróquia de São José, da comunidade Lúcio Costa, região periférica no Distrito Federal.
Vitória Nunes coordena grupo jovem da Paróquia de São José, da comunidade Lúcio Costa, na periferia do DF - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil “Os jovens descobrem um caminho na doação”,
disse. Essa comunidade passou por processos de reintegração de posse, o que tem causado tensão no lugar.
Ela conta que, diante de desocupações, mais adolescentes e suas famílias procuraram apoio na igreja. A estudante do curso técnico em meio ambiente garante que a amizade nos grupos reduz o sentimento
de solidão e sintomas de transtornos mentais, como a depressão. “O apoio da família é muito importante para a gente estar aqui.” O tapete que eles produziam era um dos 27 confeccionados em um
corredor de 125 metros de comprimento. Vindos de diferentes regiões da capital, grupos de jovens como o de Vitória chegaram assim que raiou o dia para montar os tradicionais tapetes.
Desenhos à mão Além de molhar os dedos de tinta, sal, palha e serragem, adolescentes e jovens adultos faziam rodas, cantavam e dançavam nas proximidades do corredor de tapetes. Nada de celular.
Nada de inteligência artificial. Os desenhos feitos todos à mão. As observações dos jovens vão ao encontro de posicionamento do papa Leão XIV, que publicou uma Carta Encíclica no mês passado, que