
Um plano que prepare a população para sair de casa durante chuvas fortes e indique para onde deve ir precisa ser implementado pela prefeitura de Juiz de Fora, como forma de conter mortes por
soterramentos. A avaliação é de sobreviventes da tragédia do início da semana e de especialistas da Universidade Federal de Juiz de Fora. A prefeitura afirma que a Defesa Civil já atua na prevenção.
As fortes chuvas que atingiram a cidade da Zona da Mata mineira entraram para a história como um dos eventos mais extremos registrados pelo município e que contabiliza mais de 60 mortos, além de
milhares de desabrigados ou desalojados, segundo o balanço desta sexta-feira (27). Uma das regiões mais atingidas foi o Jardim Parque Burnier, na zona leste de Juiz de Fora, a três quilômetros do
centro. Cercado de encostas e com histórico de deslizamento, o local concentra mais de 20 mortos e teve mais de dez pessoas resgatadas debaixo de escombros.
Os que conseguiram escapar com vida, caso do pedreiro Danilo Frates, cobram um sistema de emergência mais efetivo.
Na segunda-feira (23), ele disse que não recebeu nenhum aviso de alerta e avaliou que a prefeitura demorou a chegar, apesar de nunca ter visto um desastre do tipo.
"Não teve aviso, não teve sirene para alertar, não teve", disse Danilo. Ele contou que só percebeu os deslizamentos quando saiu de casa e observou uma poeira o ar, mesmo sob chuva.
Morador do bairro Jardim Burnier, Danilo Fartes - Rovena Rosa/Agência Brasil Para Danilo Frates, se a Defesa Civil tivesse emitido alertas, incluindo o uso de sirenes, ou orientações no local, mais
vidas poderiam ter sido salvas. "Eles podiam vir alertar antes, fazer prevenção. Porque a pessoa quando vê a chuva, ela se abriga onde ela tem para ir".