
Um documentário de longa-metragem em fase de pré-produção promete lançar luz sobre como a escravidão ainda estrutura desigualdades sociais, econômicas e políticas no Brasil contemporâneo.
Desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF), o projeto reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros em uma investigação que conecta passado e presente a partir de uma perspectiva
transnacional. A produção integra um amplo projeto internacional financiado pelo governo britânico, que envolve instituições acadêmicas de vários países, como a University of Bristol, universidades
em Gana e na Dominica, além da parceria com o’’ Cultne’’, organização brasileira dedicada à preservação da memória audiovisual da cultura negra.
À frente do roteiro e da produção no Brasil está a historiadora Ynaê Lopes dos Santos, professora do Departamento de História da UFF.
Em entrevista à Agência Brasil, ela explica que o filme nasce de uma pesquisa mais ampla sobre reparações históricas da escravidão em diferentes territórios.
“A ideia é pensar não só as reverberações da escravidão atlântica de maneira comparada e conectada, mas sobretudo entender como os processos de reparação vêm sendo construídos nesses países”, afirma.
No Brasil, o documentário terá como eixo central a região da Pequena África, no Rio de Janeiro, especialmente o Cais do Valongo que é reconhecido como o maior porto de entrada de africanos
escravizados nas Américas. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Rio de Janeiro (RJ), 23/11/2023 – Cais do Valongo, na zona portuária do Rio de Janeiro.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil - Tomaz Silva/Agência Brasil Segundo a pesquisadora, o território é simbólico não apenas pela dimensão histórica, mas também pelas lutas contemporâneas de moradores,