
Em maio de 2006, o estado de São Paulo viveu uma onda de ataques violentos promovidos por agentes do Estado e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A violência se espalhou por diversas cidades e chegou a parar a capital paulista. Entre os dias 12 e 21 de maio, quando esses ataques violentos ocorreram, 564 pessoas foram mortas e 110 ficaram
feridas por armas de fogo. A maior parte dessas vítimas era jovem, negra e da periferia. Dessa tragédia, que mais tarde ficou conhecida como Crimes de Maio, nasceu o movimento Mães de Maio.
A rede é formada principalmente por mães que transformaram o luto por seus filhos em luta por memória e busca por justiça.
O movimento virou uma referência no combate à violência praticada pelo Estado e na luta contra a impunidade.
“Maio de 2006 é uma história que nós contamos como mães porque nossos filhos morreram como suspeitos. Jamais se merece uma dor [como esta].
E o movimento vem traçando esse paradigma tão contundente, e a gente tem propriedade de falar que nós acolhemos até mãe de policial.
Para você ver que a nossa dor não se mede”, diz uma das fundadoras do movimento, Débora Maria da Silva.
Ela é mãe do gari Edson Rogério Silva dos Santos, de 29 anos, assassinado por policiais durante os Crimes de Maio.
Débora Maria da Silva perdeu o filho Edson Rogério Silva dos Santos, há 20 anos, assassinado pela PM de São Paulo - Fonte: Paulo Pinto/Agência Brasil Passados 20 anos da morte de seus filhos, essas