
Mascote da Copa do Mundo do Brasil, em 2014, o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) ainda tem o futuro ameaçado pela perda de seu habitat natural.
Mesmo após tanta visibilidade, o Fuleco da vida real continua na lista de animais sob risco de extinção, e um novo plano de proteção a essa e outras espécies deve ser lançado neste ano para tentar
mudar esse cenário. Típico da caatinga brasileira, o animal é encontrado em estados do Nordeste, como Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí.
Mas, para sobreviver, tem precisado driblar empreendimentos energéticos, como a instalação de placas solares e turbinas eólicas, além de estradas e o avanço da agropecuária, lista Flávia Miranda,
coordenadora científica do Programa de Conservação do Tatu-bola, da Associação Caatinga. “As fazendas solares estão sendo muito utilizadas na caatinga e, infelizmente, ficam no pé de uma montanha,
área de que o tatu gosta”, disse. Ela explica que as placas não permitem que a vegetação cresça, atrapalhando o modo de vida do animal.
Sem a mata, acrescenta, o bichinho fica ainda vulnerável a incêndios e contaminação. Tatu Bola. Foto: Samuel Portela/Divulgação A caça predatória e de subsistência, para comer, ambas ilegais, ainda
fazem parte da cultura regional e também são um perigo. Com a conscientização, principalmente, após a Copa do Mundo, a prática vêm sendo enfrentada, conta o sertanejo Lourisvaldo Camilo, do Projeto
Ecologia e Conservação Participativa do Tatu-Bola, da Chapada Diamantina. Hoje, Lourisvaldo é um dos responsáveis por capturar o bichinho, em roteiros de turismo científico, em Sumidouro (BA).
“Quando a gente era criança, e a situação era ruim, o custo de vida [era alto], a gente pegava o tatu para se alimentar.