
Desde a adolescência, Walisson Braga era fascinado por fotografar a vida de familiares e moradores na comunidade quilombola Mesquita, na Cidade Ocidental (GO), onde nasceu e se criou. Hoje, aos 29
anos, o estudante de comunicação visual entende que registrar as imagens da luta do seu povo consiste em uma estratégia de resistência de um território reconhecido, mas que espera por titulação
definitiva. Nesta semana, fotografias saídas de sua câmera podem ser vistas por mais olhares. A mostra “Chão Ancestral”, com 35 imagens dele e também dos amigos Luiz Alves e Webert da Cruz, está
disponível em um local significativo para ele, a Rodoviária do Plano Piloto de Brasília. Um lugar por onde passa todos os dias quando vai para a universidade.
Para pegar o começo da aula, sai de casa às 5h30 da manhã. "Passo pela rodoviária todos os dias. Agora, estão com fotos minhas. Espero que mais gente conheça a história do meu povo”.
Mostra Chão Ancestral, na Rodoviária do Plano Piloto- Festival Latinidades/Divulgação Ancestralidade A exposição, que faz parte do Festival Latinidades, celebra os 280 anos do Quilombo Mesquita e a
resistência principalmente de mulheres. Entre essas pessoas, a avó Elpídia Pereira, uma das matriarcas da comunidade. “Ela e tantas outras mulheres guardam saberes que devemos preservar.
Devemos proteger a herança ancestral que é base do nosso modo de vida”, ressaltou Walisson. Um modo de vida de preservação da área de cerrado onde vivem pelo menos 785 famílias, mais de três mil
pessoas. Em dezembro do ano passado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reconheceu que a área total do território é de 4,1 mil hectares, 80% maior do que a que ocupa
atualmente. A expectativa é que a demarcação definitiva do território ocorra até o final deste ano. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Proteção Segundo a liderança comunitária Sandra