
A organização de mulheres da Amazônia em associações e cooperativas tem impulsionado iniciativas nas comunidades tradicionais para a proteção dos territórios e o enfrentamento às mudanças climáticas.
Juntas, elas constroem soluções e trocam experiências que barram a perda de biodiversidade, geram renda e aumentam a segurança alimentar.
A agricultora Daniela Araújo conta que aprendeu desde cedo, na tradição, que o açaí saboroso exige tempo para ser colhido.
É preciso esperar que o fruto saía da cor verde, passe pelo tom roxo escuro, fique preto, até ficar com uma sutil camada esbranquiçada, ou “tuíra”.
Foi na observação de um dos principais alimentos para o nortista, que ela e outras mulheres responsáveis pela colheita percebem a mudança climática no território da comunidade de Pirocaba, no
município de Abaetetuba, no nordeste paraense. Daniela Araújo implantou sistema agroflorestal na comunidade Pirocaba - Foto: FASE/Divulgação Segundo Daniela, os longos períodos de seca e chuvas fora
de hora têm causado uma mudança na forma como o fruto amadurece. “Agora, ou tu apanhas [colhes] o açaí, ou tu perdes. Ele vai secar.
E pra não perder, às vezes tu apanhas ele sem ficar totalmente preto, ou tuíra, como a gente fazia antes”, explica.
A diminuição do alimento oferecido pela floresta natural não é percebida só no território de Pirocaba.
Muitas comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas e da agricultura familiar vivenciam o mesmo impacto.