
Mulheres de diferentes lugares do Brasil se conectaram em uma rede de apoio e articulação que tem como principal elo a defesa ambiental e da justiça climática.
O Programa Defensoras por Defensoras, promovido pela rede ambiental Observatório do Clima, reúne histórias de vida ligadas pelos cuidados com as pessoas, o meio ambiente e a memória dos
territórios. São 36 mulheres que atuam na linha de frente do ativismo ambiental e climático e que juntas trocam vivência, compartilham desafios e passam por formações para o fortalecimento da luta em
seus territórios. A Pernambucana Sara Marques (foto de destaque) vive na comunidade Caranguejo Tabaiares, em Recife (PE), desde que nasceu.
O local às margens de um braço do Rio Capiberibe, há algumas décadas, era uma região de pescadores e marisqueiras.
Sara Marques no programa Defensoras por Defensoras.- Gabriella Godoy/ Divulgação Hoje, totalmente integrado à área urbana, sofre os impactos de um crescimento desordenado que tornou o rio improdutivo
e pressiona a população local para dar espaço a novos empreendimentos imobiliários. “Eu tinha essa relação com a natureza, de saber que ia chover quando os caranguejos saíam do buraco, quando os
aratus corriam [pequenos caranguejos], quando tinha peixe nos viveiros. Aqui a gente tinha uma cadeia de pescado. Então tinha camarão, siri, aratu, tinha cavalo marinho”, lembra Sara.
Antes mesmo de nascer, os avós da Sara já viviam ali e os pais se conheceram e construíram a casa onde ela nasceu também em Caranguejo Tabaiares. Mas com o tempo, tudo mudou.
“Então a gente diz que nós somos uma comunidade pesqueira descaracterizada. Você tem o rio canalizado, você tem uma ilha que não é mais ilha, agora é um istmo [faixa de terra que conecta duas áreas].