
Cinquenta e um rostos de trabalhadores da indústria com olhos cansados e sérios. Há mulheres, homens, de diferentes faixas etárias e cores de pele. Ao fundo, prédio e seis chaminés.
A fumaça toma conta de parte do que antes era azul. Em meio às discussões atuais no Congresso Nacional sobre o fim da escala 6 por 1, a tela “Operários”, de Tarsila do Amaral (1876-1973), produzida
em 1933, pode provocar reflexões sobre o tema. Essa é a opinião da sobrinha-bisneta da pintora, a publicitária Paola Montenegro, que gere o legado artístico de Tarsila. “Hoje, a gente consegue
observar obras que foram feitas há 100 anos e ainda verificar tanta força”, afirma. Para ela, “Operários” é uma obra em que os brasileiros conseguem se enxergar e afirmou que a escala 6 por 1 afasta
as pessoas de direitos básicos. As pessoas têm direito à cultura, ao lazer, ao tempo livre”. Operários é uma das 63 obras da exposição “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral”, no
Centro Cultural do Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília, que começa nesta quarta (11), com entrada gratuita.
“A mostra marca o centenário da primeira exposição individual que a Tarsila fez em Paris”, diz a herdeira. Obras de Tarsila do Amaral podem ser vistas no Centro Cultural TCU, em Brasília,
na exposição “Transbordar o mundo" - Foto Joédson Alves/Agência Brasil Olhar social Mais duas obras célebres da artista na exposição, que também tratam da desigualdade e exploração, são “Segunda
Classe” (1933) e “Costureiras” (1950). São telas que, na mostra na capital, ocupam o tema do “olhar o outro”. A mostra traz uma reunião inédita de trabalhos da artista modernista (que nasceu há 130
anos), e tem curadoria das pesquisadoras Karina Santiago, Rachel Vallego e Renata Rocco, que resolveram organizar os trabalhos por núcleos de temas e não por ordem cronológica. A curadora Karina