
No mês de outubro, a programação do Círio de Nazará mobiliza fiéis, turistas e inúmeras pessoas atraídas pelo sentimento de fé, união, esperança e amor ao próximo.
Muito mais do que uma comemoração religiosa, a celebração nazarena é considerada patrimônio cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
São mais de 200 anos de história, cujo início se deu com a trajetória do caboclo Plácido, que, segundo a devoção popular, encontrou uma pequena imagem de Nossa Senhora às margens do Igarapé Murutucu.
O historiador Márcio Neco destaca que é possível perceber inúmeros elementos da identidade paraense e amazônica no Círio: "A culinária, o artesanato nos brinquedos de miriti, as festas que fazem
parte do calendário cultural da cidade no período do Círio, expressões, vocabulários, a maneira como as pessoas se tratam e acolhem umas às outras e a religiosidade." No século 18, o caboclo Plácido
percebeu um milagre. Ele havia levado para casa a imagem que encontrou às margens do igarapé. Mas ela desapareceu e foi encontrada novamente no mesmo local onde havia sido localizada.
Essa área hoje é onde estão os fundos da Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré, marco final do percurso da tradicional procissão deste domingo (11). A história se repetiu outras vezes.
Mesmo quando a imagem foi levada para outros lugares, ela teria retornado ao igarapé. Diante da tradição de que Nossa Senhora desejava permanecer naquele local, foi construída uma ermida, dando
início à devoção que cresceria ao longo dos anos. A universitária e devota Stephany Beatriz fala sobre a fé e o significado do Círio para ela: "A minha relação com a Nossa Senhora de Nazaré começou
através da minha família muito tempo atrás, desde quando eu era bem bebezinha, e foi crescendo ao longo da minha vida.