
Qual foi o destino de Medeia após desaparecer? A pergunta serviu de base para que a dramaturga Luciana Lyra escrevesse uma peça sobre maternidade, violência de gênero e exploração da natureza, que
estreia nesta sexta-feira (6) no Sesc Ipiranga, em São Paulo. Medea depois do Sol, que entra em cartaz próximo ao Dia Internacional da Mulher, dia 8, se inspira na clássica tragédia grega Medeia, de
Eurípedes, para refletir sobre a violência de gênero no Brasil e no restante da América Latina. Na peça, Luciana atua sob a máscara da personagem-título ao lado da atriz-musicista Lisi Andrade.
A cena investiga Medeia como símbolo da maternidade em seu limite e, ao mesmo tempo, como figura sobrevivente de um grande trauma.
Também é proposto uma ligação entre mulher e natureza, um ato que Lyra descreve como ecofeminismo. “A ideia é discutir a paridade entre o corpo da mulher e o corpo da Terra, na questão de que ambos
são constantemente violados. É um espelhamento que acontece à medida que nossos espaços e corpos são invadidos, da mesma forma que a Terra está sendo destruída,” explica a dramaturga.
Um diferencial na montagem da peça foi a decisão de ter uma equipe de criação formada quase exclusivamente por mulheres. A direção é assinada por Ana Cecília Costa e Kátia Daher, e a trilha sonora
reúne músicas originais de Alessandra Leão e Luciana Lyra. A equipe criativa conta ainda com Leusa Araujo (dramaturgismo), Renata Camargo (direção de gesto e movimento), Carol Badra (figurino) e
Camila Jordão (cenografia e iluminação), tendo a direção de produção de Franz Magnum. Medeia O texto grego narra a história da amante de Jasão, personagem da mitologia grega, que após ser rejeitada e
desprezada, decide matar os próprios filhos para infligir a mesma dor que lhe foi causada. “A história de Medeia é uma narrativa mítica ligada à transição de mundo matriarcal para um patriarcal.