
O uso de violência física e verbal contra crianças permanece uma prática disseminada na cultura brasileira, embora a maioria da população considere o diálogo a melhor forma de orientar os filhos.
É o que mostra pesquisa realizada pela Quaest a pedido do Instituto Infinis. Casos extremos, como o de um pai flagrado chutando a filha de 3 anos em uma rua de Francisco Beltrão (PR), são exceção.
Ainda assim, somente nos quatro primeiros meses de 2026 foram registradas 115.814 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da
Cidadania. Atualmente, cerca de 55 milhões de pessoas com menos de 18 anos vivem no Brasil. De acordo com o levantamento, nove em cada dez entrevistados consideram que o diálogo é a melhor forma de
corrigir comportamentos infantis. Apesar disso, 62% afirmaram já ter gritado com uma criança, 49% disseram ter dado tapas e 27% admitiram ter batido com objetos.
A pesquisa não investigou as causas dessa discrepância nem a influência de fatores como estresse cotidiano ou uso de substâncias psicoativas.
"Compreender essas percepções é fundamental para romper o ciclo intergeracional de violência e orientar políticas públicas de prevenção.
Cada criança protegida hoje representa menos violência amanhã", afirmou em nota Márcia Kalvon, diretora executiva do Infinis.
De acordo com os pesquisadores, a violência contra crianças atravessa gerações e tende a ser replicada por quem sofreu situações semelhantes.
Pesquisa Esta foi a segunda edição da pesquisa Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes.