Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor

Com uma linguagem precisa, que transformou uma nuvem em "a flor do céu", a poeta Orides Fontela teve parte de sua obra adaptada para a infância.

Ao reunir literatura, arte e natureza, Pelos Olhos de Orides (Editora Hedra) oferece às crianças possibilidades de contemplação e curiosidade, marcas dos poemas da autora.

Lançado neste mês de julho, o livro propõe uma aproximação das novas gerações à poesia de Orides. Orides parte de elementos simples e cotidianos, como um pássaro, uma nuvem, uma flor, uma vaca,

caleidoscópio, para refletir sobre o mundo, o tempo e a espera. “Fico imaginando uma criança que se depara com os poemas da Orides, tão cheios de mistério e quase queimando na ponta da língua de

tanta intensidade. É uma chance de a criança lembrar do susto e da beleza de ver o mundo por outra perspectiva”, disse o poeta e educador André Gravatá, em entrevista à Agência Brasil.

O poeta lembra da ocasião em que uma criança lhe contou sobre ter conversado com a água. “Ela estava escovando os dentes e decidiu se declarar dizendo ‘eu te amo’ para a água.

O que é isso senão um poema vivido no corpo? Criança que lê poesia encontra alimento para nutrir sua sensibilidade, para continuar brincando, se espantando.” Gravatá é autor de livros infantis como

Converseiro da Natureza (Companhia das Letras) e Todo mundo rodopia enquanto rodopia o mundo (Peirópolis). “Provocar a paixão pela literatura já na infância é fundamental”, disse o poeta.

André ressalta que as crianças amam ouvir poemas, ainda mais quando quem apresenta a poesia para elas têm paixão pelo que diz.

“Poetas brincam com as palavras, assim como as crianças brincam com tudo que encontram, então elas sabem bem a essência do ofício de quem trama poemas”, concluiu.

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