
O segundo recuo do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, em menos de uma semana, da ameaça de atacar a indústria de energia do Irã expõe as limitações de Washington para escalar a guerra
em meio aos efeitos econômicos provocados pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelos ataques à infraestrutura energética das petro-monarquias do Golfo Pérsico.
O segundo recuo de Trump é acompanhado da manutenção do preço do barril de petróleo em torno dos US$ 110 dólares, com as ações de Wall Street nos valores mínimos dos últimos seis meses, além da queda
dos mercados de títulos da zona do euro e do Tesouro dos EUA. O professor associado de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pedro Paulo Zaluth Bastos, avalia que Trump faz ameaças
vazias para “ver se cola”. Como não tem efeito, ele recua porque sabe que, se destruir a capacidade de petróleo iraniana, haverá retaliações no Golfo Pérsico.
“Nesse caso, teremos a possibilidade de o petróleo bater recorde e passar de US$ 150, eventualmente chegar a US$ 200.
Isso é muito e destrói inteiramente a popularidade de Trump nos EUA, particularmente entre os independentes, mas mesmo de parte dos afiliados ao partido Republicano”, comentou à Agência Brasil.
O professor Pedro Paulo acrescenta que, quanto mais danos a guerra causar à infraestrutura energética da região, maior será o prejuízo econômico no mundo e nos EUA.
“Provocaria uma queda ainda maior do volume de petróleo que chega ao mercado internacional. Uma coisa é religar [um sistema paralisado], mantida a capacidade produtiva, outra é reparar a capacidade
produtiva destruída, cuja restauração levaria muito mais tempo”, disse. Efeitos catastróficos O economista Marco Fernandes, membro do Conselho Popular do Brics, pondera que os efeitos econômicos