
É em um quintal com coqueiro, goiabeira, bananeiras, uma paineira-rosa e um raro pé de abiu que vivem as 14 famílias do Quilombo Urbano Ferreira Diniz.
A comunidade fica na Glória, na zona sul do Rio de Janeiro, e foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O local se tornou ponto de encontro dos amantes da tradicional feijoada da Tia Cida e também representa a resistência comunitária em meio à especulação imobiliária no bairro.
O tombamento cobre toda a área do terreno, na Rua Cândido Mendes, e incluiu o quintal e os casarões, referências culturais e espaços de uso comunitário.
Como uma das ações de salvaguarda, o Iphan pretende fazer um inventário de referências e manifestações culturais do quilombo como desdobramento da proteção.
Uma das atividades que mais atrai pessoas à comunidade é a Feijoada da Tia Cida, como é carinhosamente chamada Maria Aparecida Ferreira.
Às sextas-feiras, desde cedo, ela é encontrada entre as panelas de feijoada. O prato é servido aos visitantes no quintal, ponto de encontro e polo gastronômico.
O Quilombo Ferreira Diniz, na Glória, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil História As famílias do quilombo, Ferreira e Diniz, estão desde a década de 1950 no terreno, quando a matriarca Maria Isabel Ferreira, descendente de africanos
escravizados de Minas Gerais, se mudou para o casarão principal, ao se casar com o zelador do prédio, Antônio Dias Pessanha. O imóvel funcionava como uma antiga hospedagem.