
A reforma trabalhista do governo de Javier Milei busca aumentar o lucro dos patrões e subjugar os trabalhadores, não tendo qualquer função de criar empregos, como afirma o governo da Argentina.
Essa é a avaliação do presidente da Associação Latino-Americana de Advogados e Advogadas Trabalhistas, Matías Cremonte.
Em entrevista à Agência Brasil, o especialista, que é assessor de cinco sindicatos do país vizinho, refuta os argumentos do governo Milei e explica que a reforma, na prática, vai proibir as greves na
Argentina devido às limitações impostas aos trabalhadores. “É uma lei que dá ainda mais poder aos empregadores e, claro, em detrimento dos trabalhadores, que ficam praticamente sem poder em uma
relação de trabalho já desigual e injusta”, destacou. Aprovada na Câmara dos Deputados nesta sexta-feira (20), o projeto permite a ampliação da jornada de trabalho diária de 8 para 12 horas; cria o
banco de horas, com horas-extras que poderão deixar de ser pagas pagas, mas compensadas em outra jornada; além de limitar a realização de greves.
Leia a entrevista completa: Agência Brasil: Qual o objetivo do governo em promover essa reforma trabalhista na Argentina?
Matías: Este é um projeto regressivo que vai retirar direitos individuais e coletivos da totalidade da classe trabalhadora argentina.
O governo diz que é necessária para incentivar os empregadores a contratar e que teria, inclusive, um efeito virtuoso na atividade econômica.
Porém, está demonstrado que a legislação trabalhista não tem impacto na criação de empregos, nem mesmo na destruição de empregos. Isso depende da política econômica do governo.