Relatório aponta ação policial como responsável pela violênc...

Os dados do relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado, lançado nessa quarta-feira (29), apontam que as ações e operações policiais, principal estratégia para lidar com as questões de segurança

pública no Brasil, consolidaram-se como um dos motores da violência armada no Brasil.  Os números mostram que houve recorde de participação policial nos tiroteios, eventos que deixaram 901 pessoas

baleadas. Ainda assim, os dados indicam um avanço das ações dos grupos armados nos estados mapeados.  Os dados do relatório foram levantados entre janeiro e junho de 2026, nas quatro regiões

metropolitanas onde o Fogo Cruzado atua: Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador, em 57 municípios. Ao menos 2.511 tiroteios foram registrados, resultando em 2.403 pessoas baleadas, das quais 1.628

morreram e 775 ficaram feridas. As ações policiais foram responsáveis por 39% dos registros, deixando 584 mortos e 317 feridos em seus 989 tiroteios.

Em 2025, no primeiro semestre, em 33% dos tiroteios houve participação policial. Apesar da queda nos tiroteios entre os períodos, o relatório mostra que a participação policial nos conflitos cresceu.

“Há três décadas o Estado repete a mesma fórmula, um modelo de segurança pública incapaz de desarticular os grupos armados e que não garante segurança à população, nem mesmo diante do aumento da

participação policial nos conflitos. Não é razoável esperar resultados distintos insistindo em uma estratégia cuja ineficácia já é conhecida.

Ao contrário, essa lógica alimenta o alto número de tiroteios, expõe moradores ao fogo cruzado, compromete o funcionamento de escolas e unidades de saúde e não contém o avanço dos grupos armados”,

avalia a gerente de Pesquisa do Instituto Fogo Cruzado, Terine Husek Coelho. Já o número de baleados em disputas entre grupos armados, como as facções e as milícias, cresceu 12% durante o semestre,

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