
Uma placa na Rodovia Amaral Peixoto, próxima de um dos acessos para a Restinga de Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, anuncia o projeto turístico-residencial “Maraey”.
A palavra significa “terra sem mal” na língua tupi-guarani, um lugar onde não há problemas nem conflitos. A realidade na região, no entanto, é bem diferente.
A disputa pelo território envolve distintos grupos e está perto de completar 20 anos, se for considerada apenas a fase mais recente.
O marco inicial, neste caso, é a compra, em 2006, de um terreno pela empresa que responde, atualmente, pelo nome Maraey Rio de Janeiro S.A. (nome fantasia IDB Brasil).
A propriedade, de 844,16 hectares, engloba a maior parte da Área de Proteção Ambiental (APA) de Maricá, que tem 969,24 hectares e abriga espécies ameaçadas de extinção.
Em uma APA, são permitidas atividades e construções de baixo impacto ambiental e licenciadas. Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá, restinga de Maricá.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil - Tânia Rêgo/Agência Brasil Em parte do terreno que a empresa comprou, entretanto, ainda vivem pescadores da comunidade Zacarias e indígenas guaranis da Aldeia Mata
Verde Bonita (Tekoa Ka' Aguy Ovy Porã) e da Aldeia Morada dos Pássaros (Guyra Ambá). O projeto imobiliário prevê gastos de R$ 11 bilhões para construir um complexo hoteleiro e residencial de alto
luxo, que deve gerar milhares de empregos permanentes. A promessa da IDB Brasil é unir ganhos econômicos e sustentabilidade, preservando 80% da vegetação da área.
A prefeitura de Maricá também defende o projeto em nome do desenvolvimento local. São contrários ao empreendimento a Associação Comunitária de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (Acclapez), o