
O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Catete, na zona sul do Rio de Janeiro, abre ao público a partir desta sexta-feira (3) a exposição “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó”, na Galeria
Mestre Vitalino. São 40 fotos da fotógrafa e documentarista mineira Isis Medeiros, obras de ceramistas do Vale do Jequitinhonha e instalações que provocam a reflexão sobre transição energética e
mineração sustentável. A mostra fica em cartaz até 2 de novembro. Primeira exposição no Rio de Isis Medeiros, “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó” é um projeto autoral de longa duração, fomentado pelo
Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia (17ª edição). O projeto se desdobra em fotografia documental, audiovisual, pesquisa, escuta de territórios e uma exposição itinerante.
A mostra trata dos impactos humanos, ambientais e afetivos desse novo ciclo extrativista, no Vale do Jequitinhonha: o nordeste de Minas Gerais detém 85% do lítio no Brasil. O lítio é o mineral
essencial na fabricação de baterias para carros elétricos, celulares e sistemas de armazenamento de energia.
A mostra propõe ampliar o debate público sobre o modelo de desenvolvimento baseado na extração intensiva e questiona como a promessa de uma economia verde convive, na prática, com a degradação
ambiental, a pressão sobre recursos hídricos e as ameaças aos modos de vida de comunidades rurais e tradicionais.
O país ocupa atualmente o 6º lugar no ranking mundial de reservas do mineral, considerado estratégico para a transição energética global.
“Esse assunto interessa ao Brasil e ao mundo, é muito contemporâneo. O mundo está voltado para essa corrida por minerais estratégicos no Brasil e na América Latina”, disse Isis.