
Casos recentes de feminicídio, estupro de adolescentes e violência doméstica reacenderam o debate sobre a misoginia, comportamento que pode virar crime após a aprovação de um projeto de lei pelo
Senado. A misoginia é um fenômeno estrutural e significa o ódio contra as mulheres e a defesa da manutenção de privilégios históricos – sociais, culturais, econômicos e políticos – para os homens.
Conteúdos misóginos vêm ganhando força em grupos online como fóruns de internet e redes sociais. Espaços e discursos de ódio, segundo especialistas, são combustíveis para ações concretas de
violência. O Tenente-Coronel Geraldo Leite Rosa e Gisele Alves Santana. Foto: Gisele Alves Santana/Instagram Um dos casos recentes foi a morte da policial Gisele Alves Santana, encontrada com um
tiro na cabeça em seu apartamento, em São Paulo. As investigações mostram que o marido dela, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, acusado do crime, usava em conversas termos que circulam
com frequência nos grupos misóginos da internet como "macho alfa" e "mulher beta". Eles remetem à ideia de superioridade do homem e submissão feminina. Outro episódio recente foi a viralização de
conteúdo nas redes sociais que mostram homens simulando socos, chutes e facadas em mulheres caso levem um fora.
Criminalização Neste contexto, o Senado Federal aprovou nesta terça-feira (24) o projeto de lei que criminaliza a misoginia.
A proposta insere o delito entre os crimes de preconceito e discriminação previstos na Lei do Racismo. O texto aprovado define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às
mulheres”. Como forma de combater essa violência, o projeto prevê penas de dois a cinco anos de prisão nestes casos. O projeto foi aprovado com 67 votos a favor e nenhum contra.