
Há cerca de 20 anos, os Crimes de Maio provocaram 564 mortes durante confrontos entre agentes do Estado e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Só na Baixada Santista foram 115 mortes, entre elas, a do gari Edson Rogério Silva dos Santos, filho de Débora Maria da Silva, fundadora do movimento Mães de Maio.
Há indícios de execução, praticada por policiais, na maioria dos assassinatos. Também foi na Baixada Santista que 84 pessoas morreram em decorrência das operações policiais Escudo e Verão, realizadas
entre os anos de 2023 e 2024. Por concentrar episódios emblemáticos de letalidade policiais e chacinas no estado de São Paulo, a Baixada Santista foi escolhida para abrigar o Centro de Memória das
Vítimas de Violência do Estado e também o Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social (CAIS) Mães por Direitos.
Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a iniciativa é inédita no país voltada à memória, à verdade, à reparação, à prevenção e ao acolhimento de familiares que foram atingidos pela
violência de Estado. O evento, realizado nesta quarta-feira (4) com anúncio oficial de criação dos dois centros, teve a participação da ministra Macaé Evaristo.
“Centros de Memória são importantes, primeiro porque trazem a verdade para o conjunto da população; segundo, porque preservam e recuperam a dignidade das vítimas e de suas famílias.
E, em terceiro, porque é um elemento fundamental na garantia da justiça de transição“, disse a ministra, nas redes sociais.
De acordo com a ministra, os centros também são importantes para fortalecer a responsabilização dos perpetradores de violências.