
A noite de sexta-feira (24) foi marcada por emoção e silêncio atento na praça central de Tiradentes. A exibição ao ar livre do longa Querido Mundo, dirigido por Miguel Falabella, reuniu um público
numeroso na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, transformando o espaço histórico em sala de cinema e encontro afetivo com o audiovisual brasileiro.
O filme, um drama protagonizado por Malu Galli e Eduardo Moscovis, acompanha dois personagens atravessados por frustrações pessoais que se veem presos nos escombros de um prédio abandonado na virada
do ano. Dependência emocional, violência doméstica e a possibilidade de recomeço costuram a narrativa, que provocou reações intensas da plateia ao longo da sessão gratuita.
Ator Miguel Falabella na 9ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes - Leo Fontes/Universo Produções Antes da projeção, Falabella apresentou o filme e compartilhou com o público a travessia até a
direção cinematográfica. “Dirigir um filme era algo que, durante muito tempo, me parecia impossível. Mas eu queria contar essa história.
Criar, entrar e inventar um novo mundo é fascinante”, disse, sob aplausos. Na manhã deste domingo (25), o diretor voltou a se encontrar com o público em uma conversa aberta, ampliando o diálogo sobre
processo criativo, atuação e linguagem. Ao comentar sua trajetória no teatro e no cinema, Falabella relembrou experiências marcantes e a centralidade do corpo do ator na construção da cena.
“Hoje em dia pouca gente trabalha isso, o corpo do ator. É uma outra construção, outra postura, outro diafragma, outro enunciado”, afirmou, ao evocar montagens teatrais dos anos 1980.
O encontro ganhou contornos de homenagem quando Falabella falou da emoção de integrar a mesma edição da mostra que o cineasta Júlio Bressane, com quem trabalhou em Cleópatra. “Isso não tem preço.