
A compra de suprimentos básicos de higiene e alimentação, que deveriam ser fornecidos pelo Estado nos presídios, faz com que famílias gastem, em média, cerca de 70% de um salário mínimo quando
visitam detentos uma vez por semana no Brasil. Ao todo, esse gasto chega a somar R$ 4,33 bilhões por ano, estima a pesquisa A pena sem sentença: famílias, gênero e a expansão silenciosa do poder
punitivo, divulgada na semana passada pela Pastoral Carcerária Nacional, em parceria com a Assessoria Popular Maria Felipa, sediada em Belo Horizonte e especializada no apoio a pessoas privadas de
liberdade e familiares. Os pesquisadores afirmam que o sistema prisional brasileiro repassa para as famílias parcela significativa dos custos necessários ao seu funcionamento, produzindo danos
sociais, econômicos e emocionais. "Um ônus estrutural", classificam. A experiência é vivida, em especial, pelas mulheres dessas famílias.
Como retrata a pesquisa, 94,1% das pessoas que fazem visitas sociais no sistema carcerário são mulheres.
Embora haja também mães, filhas, avós, irmãs, amigas e mulheres com outros tipos de parentesco e vínculo, as esposas estão em maior número (30,3%). Além disso, a maioria dos visitantes (65,5%) é
preta ou parda, com idade entre 25 e 34 anos (32,6%) e ensino médio completo (31,9%). A pesquisa descreve que há uma "feminização e racialização do trabalho social" como sustentáculos do sistema
penitenciário. O estudo reúne dados de 2.706 entrevistas, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 3% Mais de R$ 200 por visita Na gíria utilizada dentro das prisões, as "cunhadas", como são
chamadas as esposas e companheiras das pessoas privadas de liberdade, acabam organizando suas vidas em função das visitas. São elas os principais pilares dessas relações em várias medidas, tanto