
A Defensoria Pública de São Paulo detectou diversos processos nos sites Jusbrasil e Escavador em que a identidade de jovens acusados de cometer atos infracionais, apontada em processos da Justiça de
São Paulo, é revelada. A exposição ilegal dos adolescentes foi confirmada pelo órgão após o recebimento de denúncias. Mesmo com a derrubada de páginas na internet, os dados podem continuar
expostos, já que também constam de edições do Diário da Justiça Eletrônico, de acesso livre a qualquer pessoa. De acordo com o Núcleo Especializado da Infância e Juventude (Neij), da Defensoria, as
informações chegaram através de funcionários do sistema de medidas socioeducativas e de familiares dos adolescentes envolvidos.
A menção aos nomes dos jovens descumpre o artigo 247 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que proíbe a divulgação, sem consentimento, da exibição do nome, ato ou documento de procedimento
policial, administrativo ou judicial de crianças ou adolescentes que respondem por atos infracionais. O trecho da lei ressalta que isso vale independentemente do meio de comunicação.
A pena prevista é de multa de 3 a 20 salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
Citando o artigo, a Defensoria Pública informou, em nota encaminhada à Agência Brasil, que foram retiradas do ar várias páginas da internet, a pedido do Neij, mas ponderou que não é possível achar
todos os processos que deveriam estar sob sigilo. O órgão ressaltou, ainda, que foi aberto um procedimento administrativo para que haja a devida responsabilização de quem violou a lei, na forma do
ECA. Foram enviados ofícios ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), ao Ministério Público e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O TJSP declarou, também em nota, que não houve falhas