Torcedor da seleção há 20 Copas, Seu Simão, 91 anos, aposta ...

Quando a Seleção Brasileira entrar em campo nesta segunda-feira (29) contra o Japão, abrindo o mata-mata da Copa do Mundo, um torcedor especial estará sintonizado na TV.

Aos 91 anos, o piauiense Simão Ribeiro da Silva — pioneiro da construção de Brasília, eletricista e diácono — se prepara para testemunhar a sua 20ª Copa do Mundo.

Do rádio de válvula que anunciou a "tragédia" de 1950 ao "cineminha" que montou na rua para ver o tricampeonato em cores em 1970, Seu Simão atravessou quase um século de paixão pelo futebol e faz uma

aposta otimista: o hexa vem. "Nós já tivemos Copa assim, a turma foi assim meio desacreditada e depois levantou a moral. Mas eu acho que eles estão escolhendo muito bem. Os caras estão bons.

Primeiro, eles não devem nada a eles lá. Não vai ter para ninguém não. O hexa vem”, crava o torcedor, que hoje vive em Sobradinho (DF).

Pai de sete filhos, com mais de dez netos e vinte bisnetos, ele nasceu em Cristino Castro (PI). Seu Simão acompanhou não só a evolução dos times, mas da tecnologia para acompanhar e torcer pelo

futebol brasileiro. Ele conta que as transmissões pelo rádio, nas décadas de 1950 e 1960, mexiam com a emoção e a imaginação.    “Tinha os locutores de rádio que começavam a badalar: bola passou para

fulano, beltrano, passou para Jairzinho, Jairzinho fez isso e é gol! E aí aquela alegria de todo mundo. Agora não, você vê, não precisa ninguém nem falar nada.

Naquele tempo era a sensação da voz, do som, era pelo ouvido que a gente vibrava, gritava, fazia festa”.

Decepção de 1950 Foi pelo rádio, quando trabalhava nos garimpos no Piauí, que ele ouviu a derrota do Brasil para o Uruguai por 2 a 1, no Maracanã, no Rio de Janeiro, na final da Copa de 1950.

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